A conferência decorreu no dia 3 de dezembro e reuniu entidades públicas, especialistas e parceiros para debater o tema da sustentabilidade na gestão da rede elétrica.
Na intervenção de abertura, José Ferrari Careto destacou a sustentabilidade como um pilar da E-REDES, apoiado por mais de duas décadas de colaboração com entidades científicas e ambientais. Referiu a evolução da empresa na gestão da vegetação, que mobilizou cerca de 100 milhões de euros na última década, reforçando a segurança, a resiliência da rede, a relação com o território e a proteção da avifauna.
O meu maior desejo, na gestão da vegetação, é conseguir aplicar em grande escala os modelos que já conhecemos e usamos em pequena escala
O Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, reforçou a importância da gestão da vegetação na segurança da rede e na redução do risco de incêndio. Destacou os desafios da fragmentação da propriedade rural e o potencial dos usos compatíveis sob as linhas elétricas para valorizar o território e reforçar a biodiversidade.
Conservar a natureza em tempo de transição energética
No painel dedicado à conservação em tempo de transição energética, Lucía Santalla (EDP Redes Espanha) apresentou um caso de recuperação ecológica na Cantábria, demonstrando como a gestão da vegetação pode ser alinhada com a operação da rede. Carlos Marinho apresentou o Projeto ANTARR, que propõe um modelo integrado de promoção de capital natural baseado em planeamento à escala da paisagem, redução do risco de incêndio, valorização da biodiversidade e sequestro de carbono.
O primeiro debate, moderado por Nuno Gaspar de Oliveira (NBI), contou com Carla Cruz (Universidade de Évora), Sandra Sarmento (ICNF) e José Gaspar (ForestWise). Os intervenientes abordaram as metas europeias de biodiversidade, incluindo a Lei do Restauro da Natureza, e os desafios das Faixas de Gestão de Combustível. Defenderam que é possível a redução do risco através da promoção da biodiversidade, de planeamento integrado, fomentando a inovação na redução da pegada ecológica e no repensar do planeamento das faixas, destacando que modelos baseados na natureza podem reduzir risco e gerar valor em capital natural.
Avifauna: duas décadas de trabalho e novas soluções para proteger espécies vulneráveis
A avifauna foi o foco da segunda parte da conferência, com Inês Cândido Silva a apresentar os resultados de mais de vinte anos de trabalho conjunto entre a E-REDES, o ICNF e várias ONGAs. Destacou os 10 Protocolos de Avifauna, os Projetos LIFE e as medidas técnicas já implementadas em mais de 2.100 km de rede, reduzindo riscos de colisão e eletrocussão.
Seguiu-se a apresentação de Ingrid Marchand (LPO), que partilhou a experiência do Comité Francês para a Avifauna e do Projeto LIFE SafeLines4Birds, destacando a importância da cooperação internacional na adaptação de soluções na proteção das aves. O último debate contou ainda com Pedro Bingre do Amaral (LPN), Miguel Henriques (ICNF) e Luís Pires (E-REDES), que abordaram a evolução dos protocolos, o papel da CTALEA na recolha de dados e o potencial da tecnologia para a instalação de dispositivos e para a monitorização. Os intervenientes defenderam processos mais ágeis, soluções inovadoras para reduzir riscos e uma maior integração da ciência na tomada de decisão.
João Martins de Carvalho, membro do Conselho de Administração da E-REDES, agradeceu a presença de todos e destacou que a sustentabilidade é essencial para o futuro da rede elétrica, reforçando o compromisso da empresa em integrar critérios ambientais na sua operação.