Um ecossistema que só funciona se todas as “peças” estiverem a trabalhar em conjunto.
O encontro contou com uma mesa-redonda com Eduardo Teixeira (ERSE), Paulo Afonso (E‑REDES) e Paulo Miguel Santos (OLMC), focada na evolução do mercado liberalizado. Ao longo do debate, foi sublinhado o caminho feito desde a criação do mercado, marcado pela definição de regras, adaptação de sistemas e construção de confiança junto do consumidor.
Os intervenientes destacaram a importância da automatização e da digitalização da rede para suportar o crescimento do número de clientes e garantir igualdade de acesso entre agentes, assim como a resiliência demonstrada pelo setor em contextos exigentes, assegurando sempre a continuidade do fornecimento de eletricidade.
Após o intervalo, a sessão centrou-se nos principais desenvolvimentos regulatórios e operacionais, com foco crescente no papel dos dados no funcionamento do mercado. Gonçalo Ferreira Silva destacou as alterações ao novo Guia de Medição, que reforçam a qualidade e fiabilidade da informação, aproximando as estimativas dos consumos reais. O novo regulamento da mobilidade elétrica, apresentado por Pedro Felício e Luís Carlos Mendes, introduz um modelo mais integrado, em que os pontos de carregamento passam a ser tratados como pontos de entrega da rede, com impacto direto na gestão e faturação. Pedro Valente destacou ainda a necessidade de evoluir os sistemas para responder ao aumento de dados e à crescente complexidade do setor, garantindo maior agilidade, qualidade e capacidade de resposta.
Seguiu-se a apresentação de Sara Miguéis, onde trouxe o tema da apropriação indevida de energia, que tem vindo a ganhar expressão, explicando os procedimentos adotados nestes casos e o que acontece quando não há regularização por parte do cliente. Seguiu-se Lisete Gonçalves, que chamou a atenção para a importância de manter os contactos dos clientes atualizados, lembrando que falhas nesta informação acabam por comprometer comunicações críticas e gerar problemas operacionais. Já Ana Margarida Rodrigues fez um ponto de situação da atividade, mostrando como as redes inteligentes, hoje já alargadas aos clientes domésticos, estão a permitir mais operações remotas, melhor qualidade de dados e maior estabilidade na faturação, mesmo num contexto de crescimento de novos modelos como o autoconsumo e a mobilidade elétrica.
O encontro terminou com notas finais de António Amorim, reforçando a importância de dar continuidade ao trabalho conjunto entre os diversos agentes, com foco na adaptação a um mercado em constante evolução.
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