Inovação e desenvolvimento

Drones

Enquanto Operador da Rede de Distribuição (ORD), em Portugal Continental, a E-REDES é responsável pela gestão de 179 000 km de rede elétrica. 68 000 km (~38%) são rede aérea e deste número, 28 000 km (~42%) encontram-se em áreas florestais.

A E-REDES tem com uma das suas prioridades assegurar a exploração da rede aérea de forma a garantir a segurança e qualidade de fornecimento de energia elétrica, mas garantindo simultaneamente as melhores condições de defesa e proteção da floresta. Para isso, a empresa tem vindo a reforçar a sua aposta no desenvolvimento de soluções de carácter inovador que possibilitem a manutenção e monitorização das suas redes elétricas e da vegetação na sua proximidade.

Através da utilização de drones é possível o despiste rápido de avarias e, nas inspeções pós-execução dos trabalhos de abertura de faixa, a E-REDES passou a contar com mais uma ferramenta: os drones proprietários, como meio complementar para a inspeções à rede AT e MT.

Para mitigar alguns dos riscos provenientes de situações de proximidade de vegetação com a rede elétrica há mais de 25 anos que a E-REDES realiza inspeções de manutenção preventiva, inicialmente com percorridos pelo solo, e mais tarde com recurso a helicópteros. Neste contexto, realçam-se os seguintes marcos:

Em relação às inspeções com recurso a helicóptero, em 2020 e 2021 a EDP Labelec (prestadora de serviço da E-REDES para este tipo de trabalho) inspecionou, recorrendo a imagens RGB, termografia e LiDAR, cerca de 19 700 km por ano, prevendo-se um aumento para 27 000 km de rede inspecionada em 2022

Drones
GridDrone

Em 2021 e com o intuito de procurar alternativas ao uso do helicóptero neste tipo de inspeções, a E-REDES decidiu realizar um piloto focado no uso de drones, o projeto GridDrone, onde, em conjunto com uma empresa da Estónia, a Hepta Airborne, realizou a inspeção de 1000 km de rede de Alta e Média Tensão nos distritos de Viseu e Coimbra.
Os resultados deste projeto foram avaliados internamente, com auxílio de membros da Direção de Gestão da Vegetação (DGV) da E-REDES e da EDP Labelec, e tiveram sempre com standard de qualidade o serviço prestado atualmente. Estes resultados foram bastante positivos e próximos do serviço que é prestado atualmente enaltecendo, ainda mais, os possíveis ganhos de eficiência operacional, segurança ocupacional e sustentabilidade que este tipo de tecnologia possibilita quando comparada com o helicóptero.
Em 2022 foi decidido avançar com uma proposta para uma inspeção por drone de 3000 km de rede AT e MT nas regiões de Vila Real, Bragança e Lisboa com possibilidade de extensão destas inspeções em 2023 para 10 000 km.
Após essas inspeções e, dependendo do nível de risco que é detetado, são emitidas ordens de trabalho aos PSEs da região para que se proceda a abertura e limpeza das faixas de proteção e das faixas secundárias de gestão de combustível. À data, a verificação destes trabalhos é feita por colaboradores no solo com recurso a binóculos.

Drones
E-Drone

A empresa lançou o projeto E-Drone, que consiste na realização de inspeções aos ativos de rede com recurso a drones comerciais. Para este projeto foi necessário concluir o processo de aquisição dos drones, de contratação do seguro de responsabilidade civil, bem como a formação dos pilotos, a obtenção das respetivas licenças, do registo da E-REDES como operador de drones junto da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) e da Autoridade Aeronáutica Nacional (AAN) e, por fim, a nomeação do responsável operacional para esta atividade.
O primeiro voo deste projeto-piloto foi realizado no passado dia 17 de dezembro de 2021, com recurso a um drone equipado com câmara HD. O recurso a esta tecnologia permitiu efetuar a inspeção detalhada da rede e a visualização de todos os componentes do ativo. A E-REDES coloca-se, uma vez mais, na linha da frente ao nível da inovação, desta feita utilizando e adaptando soluções inovadoras para a inspeção dos seus ativos técnicos.

Satélites
Earth Observation for Vegetation Management

No projeto Earth Observation for Vegetation Management (EOVM) foi explorada uma outra abordagem, na qual, com recurso a utilização de analítica sobre imagens de satélite, foi avaliado o uso deste tipo de tecnologia como uma alternativa viável às auditorias remotas à execução de ordens de trabalho no terreno.

Neste projeto foi também avaliado o uso desta tecnologia na identificação das espécies vegetais na proximidade da rede elétrica (estimativa da altura e do estado de crescimento) com o piloto a ser realizado em 2021 numa área de interesse nos distritos de Coimbra, Viseu, Guarda e Castelo Branco. Este projeto foi realizado em parceria com 3 empresas reconhecidas deste sector: Tesselo, 20TreeAI e a LiveEO.

Os resultados permitiram analisar os pontos fortes e limitações da aplicabilidade da analítica em imagens de satélite para gestão da vegetação e, está em análise a possibilidade de se avançar para uma Fase 2 do projeto, focada principalmente na evolução do segundo caso de uso.

Todos os projetos mencionados até este ponto abordam, na sua totalidade, a inspeção, gestão e manutenção da rede AT e MT em zonas florestais, todavia, existe também uma componente de prevenção de incidentes resultantes de situações que envolvem vegetação com elementos da rede de Baixa Tensão (rede BT). 

Atualmente, estes tipos de situações são reportados por equipas no solo durante as rondas de manutenção preventiva sistemática realizadas sobre a rede ou através dos vários canais que a E-REDES disponibiliza para o report deste tipo de informação (APP E-REDS, linha de apoio ao cliente, etc.). Em 2020 foi realizado um projeto-piloto, o LVWatch, onde a E-REDES em conjunto com a NTT DATA, usando imagens captadas pelos veículos da E-REDES, durante a deslocação de colaboradores nas suas rondas de inspeção periódicas e aplicando modelos de computer vision, consegue analisar/aferir a proximidade de vegetação à rede elétrica BT e identificar possíveis pontos de risco. 

Apesar do carácter bastante inovador deste projeto, os resultados não permitiram o roll-out deste tipo de solução. No entanto, em 2022, suportado pelos mais recentes desenvolvimentos tecnológicos na área de computer vision, está em curso o estudo de uma 2ª Fase do projeto com objetivo de desenvolver uma evolução desta solução, que permita obter resultados com a confiança necessária para a sua implementação nas operações da E-REDES.